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Antropologia física

Prof. Dr. Roberto da Silva Ribeiro

O homem, apesar de ser um ente cultural, não deixa de ser também um ser vivo. Nesta perspectiva a Biologia e a Antropologia física têm uma contribuição importante a dar à Arqueologia.
As ligações entre Arqueologia, Biologia e Antropologia física começam no século XIX, com os questionamentos sobre a origem e evolução do homem. Todos os questionamentos raciais e suas teorias dos séculos passados influenciaram diretamente na pesquisa arqueológica, quer moldando seus objetivos, quer seus métodos. A Paleontologia forneceu o método da escavação em níveis, as ideias de “fósseis guias” e de atualismo.
A Arqueologia paleolítica adquiriu um papel de destaque em debates sobre a ascendência do homem depois da publicação das teorias de Darwin (TRIGGER; 2004:91). A Arqueologia viu-se envolvida nas controvérsias sobre as obras de Darwin e foi influenciada pelos conceitos derivados da evolução biológica. Com o tempo, desenvolveu-se a Paleontologia humana, que estuda especificamente os ancestrais da nossa espécie, especialmente antes da existência de artefatos.
A credibilidade da Antropologia física e dos estudos da evolução humana foram muito abaladas pelo mau uso feito pelos nazistas de seus pressupostos. Metodologias que abordavam diferenças físicas entre populações e especulações sobre a evolução do homem só voltaram à baila nos fins anos 1960 com a descoberta de fósseis humanoides de grande antiguidade.
A Paleoantropologia funerária é uma disciplina que se interessa pelo estudo das populações a partir dos vestígios de uma amostra exumada. A análise dos restos humanos desenterrados evoluiu bastante desde os primórdios da Arqueologia. Por muito tempo, o estudo das sepulturas se resumia à coleta do mobiliário funerário. Os esqueletos eram de pouco interesse aos arqueólogos. O estudo de sepulturas ganhou uma nova abordagem com uma visão pluridisciplinar a partir do século XX (SIMON, CARVALHO; 1999:9).
O estudo dos fenômenos tafonômicos ligados à decomposição dos cadáveres implica em um exame atento da posição relativa de década peça óssea do estado de conexões e da amplitude das disjunções. A Tafonomia surgiu na Paleontologia e rapidamente passou a ser considerada pela Arqueologia. Os aspectos tafonômicos dos restos esqueléticos provenientes de sítios arqueológicos são úteis para a interpretação do contexto perimortem e post-mortem (CARVALHO; 2007:14-16).
A Paleoparasitologia, o estudo sobre infeções parasitárias em populações pré-históricas, é muito importante no estudo da dieta e das migrações. O estudo sobre os achados de vestígios de infecções ou infestações em humanos ou animais nos sítios arqueológicos entre dois lugares permite aprofundar o conhecimento sobre rotas migratórias possibilidades de ocupação de novos territórios, além de possibilidades de estimar a época em que surgiram as doenças (DA ROCHA, BOUCHET, ARAÚJO, FERREIRA; 2007:134). Criou-se o termo Paleoparasitologia para identificar essa linha de pesquisa voltada para o encontro de parasitos intestinais (ARAÚJO; 2007:33). Estes estudos no Brasil começam na Fiocruz em 1978 (ARAÚJO; 2007:33).
O uso da Paleogenética é extremamente útil, tanto para o estudo de migrações, de sistemas de parentesco quanto para determinação do sexo para sujeitos não-adultos. (CARVALHO; 2007:22).
A Paleoodontologia, estudos dos dentes fossilizados, é de suma importância para o estudo das migrações. Apesar de todos os seres humanos possuirem o mesmo padrão dentário básico de 32 dentes, as populações apresentam pequenas diferenças secundárias. O número de raízes nos molares, por exemplo, pode variar de grupo para grupo. É possível separar, por estas características, os dentes dos africanos, dos europeus e de dois grupos de asiáticos: os sundadontes, do sudoeste da Ásia, e os sinadontes, do Extremo Oriente (ADOVASIO; PAGE, 2011:290).
A Antropologia Física ainda enfrenta uma série de objeções éticas por causa do racismo que persiste em nossa sociedade. Pode parecer que destacar as diferenças físicas entre os grupos humanos possa favorecer o racismo. Porém, o racismo está em declarar que determinadas características tornam um grupo inferior ao outro e não simplesmente diferente. Racismos é ressaltar as diferenças para com isso obter uma vantagem política ou econômica em relação a outros grupos. Se não há a vontade de diminuir o outro grupo para oprimi-lo e apenas se estão ressaltando diferenças observáveis para um propósito classificatório, não há, em princípio, racismo. Note-se, finalmente, que as diferenças físicas entre os grupos humanos não constituem nenhum indício de diferença de capacidade cognitiva entre eles.

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