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NOTAS

A cultura arqueológica está para a cultura histórica assim como a espécie paleontológica está para a espécie viva. Não saberíamos a diferença entre uma ovelha e uma cabra somente pelo esqueleto. Civilização não é um conceito arqueológico. Uma civilização é uma cultura que desenvolveu cidades e escrita, por ter escrita, ela fala por si mesma. Agricultura é diferente de horticultura.
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ANTROPOLOGIA ESPECULATIVA Podemos chamar de “Antropologia especulativa” aqueles exercícios de reconstrução hipotética do passado a partir de mera especulação filosófica. Isso era bastante comum até meados do século XX. Autores como Engels e Freud propuseram uma visão de como teria sido a pré-história humana baseado meramente em suposições e extrapolações. Engels acreditava que os homens evoluiram ao usar ferramentas, viviam em núcleos familiares em que o pai impunha sua autoridade pela força bruta à mulher e aos filhos. Ao descobrir que tinha participação na fecundação, o macho teria imposto a castidade à fêmea para garantir que seus bens pessoais seriam herdados apenas por seus decendentes biológicos. Assim, para ele, o egoísmo era a grande força que movia a humanidade. Marx, por sua vez, diferentemente de seu companheiro, cogitava que o homem tinha surgido em uma sociedade igualitária, que ele chamava “socialismo primitivo”, em que os bens eram partilhados por todos e havia g...
O ARTEFATO ARQUEOLÓGICO: QUESTÕES DE CONTATOS E IDENTIDADES PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO O artefato arqueológico tem uma dupla natureza, ele é o testemunho de uma ação passada, sua produção e uso; e é também portador de uma atividade futura, seu estudo. É o documento da História e é a ilustração da teoria desenvolvida pelos arqueólogos. Assim, o artefato deve ser considerado sob dois aspectos: primeiro, pelo seu significado para a população que o produziu e, segundo, pelo seu significado atual, museológico e científico. O objeto arqueológico foi um objeto cultural e tecnológico no passado, mas também é um objeto cultural e patrimonial no presente. O objeto arqueológico é também um mediador na tomada de consciência pública sobre o patrimônio na demonstração, na restituição do conhecimento adquirido e nos questionamentos. Já a coleção é uma construção unicamente do presente. Ela é criada através do olhar classificatório da Arqueologia de hoje sobre os materiais do passa...
O MUSEU E A ARQUEOLOGIA PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO A curatela arqueológica é um processo contínuo, estudado e gerido pela Museologia. Envolve a criação de coleções e seus cuidados e gestão a longo prazo, também envolve a sua acessibilidade a uma variedade de usuários para uma série de empregos. O primeiro museu arqueológico moderno foi o Museu dos Monumentos, criado na França depois da Revolução francesa que serviu de modelo para outros no séc. XIX na Europa. Christian J. Thomsen ao dispor a coleção do Museu Nacional de Antiguidades de Copenhague criou o primeiro método de seriação de objetos arqueológicos permitindo uma datação relativa dos artefatos (TRIGGER; 2004:73). No fim do séc. XIX já havia muito material arqueológico nos museus, isto levou a criação de novos métodos de classificação. A proliferação de museus no século XIX foi ligada à formação e solidificação dos estados nacionais na Europa Ocidental. A posse de artefatos de outras culturas era uma import...
ACERVO E PATRIMÔNIO prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro Todo projeto arqueológico produz uma coleção arqueológica. Uma coleção de material pode resultar do trabalho em um único sítio ou de uma única investigação ou um projeto envolvendo uma série de sítios. A pesquisa pode render uma coleção ou uma série de coleções da pesquisa em um único sítio ao longo de anos. Os arqueólogos têm a obrigação ética e profissional de preservar esses resquícios de forma a garantir sua integridade mantendo e preservando o futuro de pesquisa e interpretação desses materiais. Ao arqueólogo cabe a limpeza dos artefatos, sua numeração e etiquetagem; documentação, acondicionamento. No envio de coleções, devem-se juntar informações complementares e contato para informação (FITHIAN, 2017). No Brasil, a portaria SPHAN 07/88 no seu art. 12 diz que terminada a pesquisa, seu coordenador encaminhará o relatório final dos trabalhos em que deverá constar relação definitiva do material arqueológico recolhido...
QUESTÕES ACERCA DO RECENTE prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro A incorporação do capitalismo industrial, do elemento atual, na Arqueologia Histórica, vai ser responsável pelo aparecimento de diversas temáticas e linhas de estudo e também por influenciar outras áreas na própria Arqueologia como um todo e vai colocar em baila a questão do “recente”. Quão antigo deve ser um período para merecer a atenção da Arqueologia? Igual questão envolve a linha de pesquisa da chamada “História do Tempo Presente”. Hoje, os historiadores se perguntam quando um estudo deixa de ser sociológico ou jornalístico e passa a ser histórico. Mas, enquanto para a História este tema é meramente acadêmico, para o campo da Arqueologia ele tem importantes conotações econômicas, pois enquanto é aceitável demolirem-se prédios velhos e lixões, monumentos e jazidas arqueológicas têm de ser preservadas. Essa discussão é travada não só no Brasil, mas em todas as partes do mundo sobre Arqueologias do passado rece...
DESENVOLVIMENTO DA ARQUEOLOGIA HISTÓRICA PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO A Arqueologia Histórica, como a Arqueologia da cultura europeia transplantada para as Américas, nasceu, muito antes do seu nome, nos Estados Unidos e Canadá por volta de 1850. Primeiramente preocupada com a busca de pessoas e lugares famosos para a História nacional e oficial, esta Arqueologia vai ser praticada quase exclusivamente por arquitetos e historiadores. Os primeiros trabalhos em sítios históricos no Brasil remontam às décadas de 1930 a 1950, quando foram feitas investigações sem caráter sistemático ou corpus teórico e metodológico definido. Como primeiros exemplos dessas investigações temos, na década de 1930, os trabalhos de Hermann Kruse nas Casas Fortes na Bahia, e de Loureiro Fernandes nos túmulos de quilombolas no Paraná. Em 1940, Virginia Watson realizou investigações nas ruínas de uma vila espanhola no Paraná chamada Ciudad Real del Guairá. Já em 1950, Loureiro Fernandes estudou o ...