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Mostrando postagens de dezembro, 2018
O ARTEFATO ARQUEOLÓGICO: QUESTÕES DE CONTATOS E IDENTIDADES PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO O artefato arqueológico tem uma dupla natureza, ele é o testemunho de uma ação passada, sua produção e uso; e é também portador de uma atividade futura, seu estudo. É o documento da História e é a ilustração da teoria desenvolvida pelos arqueólogos. Assim, o artefato deve ser considerado sob dois aspectos: primeiro, pelo seu significado para a população que o produziu e, segundo, pelo seu significado atual, museológico e científico. O objeto arqueológico foi um objeto cultural e tecnológico no passado, mas também é um objeto cultural e patrimonial no presente. O objeto arqueológico é também um mediador na tomada de consciência pública sobre o patrimônio na demonstração, na restituição do conhecimento adquirido e nos questionamentos. Já a coleção é uma construção unicamente do presente. Ela é criada através do olhar classificatório da Arqueologia de hoje sobre os materiais do passa...
O MUSEU E A ARQUEOLOGIA PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO A curatela arqueológica é um processo contínuo, estudado e gerido pela Museologia. Envolve a criação de coleções e seus cuidados e gestão a longo prazo, também envolve a sua acessibilidade a uma variedade de usuários para uma série de empregos. O primeiro museu arqueológico moderno foi o Museu dos Monumentos, criado na França depois da Revolução francesa que serviu de modelo para outros no séc. XIX na Europa. Christian J. Thomsen ao dispor a coleção do Museu Nacional de Antiguidades de Copenhague criou o primeiro método de seriação de objetos arqueológicos permitindo uma datação relativa dos artefatos (TRIGGER; 2004:73). No fim do séc. XIX já havia muito material arqueológico nos museus, isto levou a criação de novos métodos de classificação. A proliferação de museus no século XIX foi ligada à formação e solidificação dos estados nacionais na Europa Ocidental. A posse de artefatos de outras culturas era uma import...
ACERVO E PATRIMÔNIO prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro Todo projeto arqueológico produz uma coleção arqueológica. Uma coleção de material pode resultar do trabalho em um único sítio ou de uma única investigação ou um projeto envolvendo uma série de sítios. A pesquisa pode render uma coleção ou uma série de coleções da pesquisa em um único sítio ao longo de anos. Os arqueólogos têm a obrigação ética e profissional de preservar esses resquícios de forma a garantir sua integridade mantendo e preservando o futuro de pesquisa e interpretação desses materiais. Ao arqueólogo cabe a limpeza dos artefatos, sua numeração e etiquetagem; documentação, acondicionamento. No envio de coleções, devem-se juntar informações complementares e contato para informação (FITHIAN, 2017). No Brasil, a portaria SPHAN 07/88 no seu art. 12 diz que terminada a pesquisa, seu coordenador encaminhará o relatório final dos trabalhos em que deverá constar relação definitiva do material arqueológico recolhido...
QUESTÕES ACERCA DO RECENTE prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro A incorporação do capitalismo industrial, do elemento atual, na Arqueologia Histórica, vai ser responsável pelo aparecimento de diversas temáticas e linhas de estudo e também por influenciar outras áreas na própria Arqueologia como um todo e vai colocar em baila a questão do “recente”. Quão antigo deve ser um período para merecer a atenção da Arqueologia? Igual questão envolve a linha de pesquisa da chamada “História do Tempo Presente”. Hoje, os historiadores se perguntam quando um estudo deixa de ser sociológico ou jornalístico e passa a ser histórico. Mas, enquanto para a História este tema é meramente acadêmico, para o campo da Arqueologia ele tem importantes conotações econômicas, pois enquanto é aceitável demolirem-se prédios velhos e lixões, monumentos e jazidas arqueológicas têm de ser preservadas. Essa discussão é travada não só no Brasil, mas em todas as partes do mundo sobre Arqueologias do passado rece...
DESENVOLVIMENTO DA ARQUEOLOGIA HISTÓRICA PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO A Arqueologia Histórica, como a Arqueologia da cultura europeia transplantada para as Américas, nasceu, muito antes do seu nome, nos Estados Unidos e Canadá por volta de 1850. Primeiramente preocupada com a busca de pessoas e lugares famosos para a História nacional e oficial, esta Arqueologia vai ser praticada quase exclusivamente por arquitetos e historiadores. Os primeiros trabalhos em sítios históricos no Brasil remontam às décadas de 1930 a 1950, quando foram feitas investigações sem caráter sistemático ou corpus teórico e metodológico definido. Como primeiros exemplos dessas investigações temos, na década de 1930, os trabalhos de Hermann Kruse nas Casas Fortes na Bahia, e de Loureiro Fernandes nos túmulos de quilombolas no Paraná. Em 1940, Virginia Watson realizou investigações nas ruínas de uma vila espanhola no Paraná chamada Ciudad Real del Guairá. Já em 1950, Loureiro Fernandes estudou o ...
ARQUEOLOGIA HISTÓRICA PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO A definição exata de Arqueologia Histórica constitui uma questão controversa na atualidade, e é imprescindível entender seu contexto, pois, em caso contrário, poderemos incluí-la erroneamente em uma esfera mais ampla no tocante ao seu objeto de pesquisa. Ela se dedica ao estudo arqueológico da presença europeia no continente americano, ao se sobrepor aos povos nativos anteriores a ela, embora a maioria de seus praticantes tivessem sido primeiro pré-historiadores ou conjugassem uma e outra em sua trabalho de campo. A Arqueologia Histórica deve então ser compreendida não como uma Arqueologia da História, mas como uma Arqueologia da colonização e da sociedade dela resultante depois da eliminação das sociedades anteriormente fixadas. Em 1851, Daniel Wilson cunhou o termo “Pré-História” para designar o período anterior à existência da escrita (TRIGGER; 2004:81). Como a escritura - o principal critério proposto para traçar ...
A PAISAGEM COMO PATRIMÔNIO PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO Locais históricos nacionais designados para fins arqueológicos para comemorar a história dos povos aborígenes podem ter valores de paisagem cultural, e as nações envolvidas podem optar por identificá-los como paisagens ou elementos de paisagens culturais dada a sua herança. Este é, por exemplo, o caso da Serra da Barriga no Brasil, escolhida como sendo o lugar para comemorar a existência de Palmares. Não há nela nenhuma marca arqueológica concreta de que tenha sido o centro do quilombo, nunca se achou nenhum marco arquitetônico relevante, como seriam muralhas de terra que dizem ter havido no quilombo, ou mesmo áreas de descarte de lixo relevantes que demonstrassem uma grande população. Ninguém encontrou ainda o chamado Mocambo do Macaco, onde teria sido travada a última batalha da resistência negra, sequer balas de canhão, que teriam sido disparadas se achou. O valor do parque da Serra da Barriga não está considera...
MÉTODOS EM ARQUEOLOGIA DA PAISAGEM PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO Na Arqueologia da Paisagem, a análise se inicia na própria descoberta do sítio arqueológico, onde as geotecnologias são empregadas na procura de uma ocupação e no decorrer das pesquisas nelas desenvolvidas. Ao se encontrar e delimitar a área de estudo, temos os artefatos arqueológicos, o solo e o ambiente antropizado. A metodologia da Arqueologia da paisagem considera os artefatos arqueológicos encontrados em seu contexto ambiental, usando os geoindicadores arqueológicos, para fornecer uma série de informações e de evidências sobre as ocupações humanas. Suas características podem ser examinadas em termos de "lógica social" ou homogeneização do espaço cultural que fornecem informações sobre estruturas, como sistemas de medição, posse da terra, hierarquia social, cosmologia, calendário, astronomia, geografia sagrada, cognição e práticas rituais. (ERICKSON; 2017). A Arqueologia da paisagem tem co...
PARADIGMAS TEÓRICOS EM ARQUEOLOGIA DA PAISAGEM PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO  Para construir uma Arqueologia das paisagens, os arqueólogos devem começar por definir os parâmetros naturais e culturais que condicionam como as pessoas ocupam os lugares concretos e como estabelecem suas ações no tempo e no espaço. Ao definir estes parâmetros, pode-se entender melhor a estrutura e a disposição do agir humano dentro de suas entornos. A definição de parâmetros leva quatro passos hierárquicos: a definição dos segmentos arqueológicos e de paisagem física que centram o estudo; a identificação das conexões entre estes segmentos; o estabelecimento de suas intersecções, e a definição da paisagem por meio da integração destas intersecções. O desenvolvimento de estudos sistemáticos e integrais do registro arqueológico e da paisagem (esta última compreendida não como uma entidade passiva, onde ocorrem os processos sociais ou como um recurso a ser explorado, mas como uma construção...
ANTECEDENTES DA ARQUEOLOGIA DA PAISAGEM PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO A Arqueologia da Paisagem não apareceu de forma isolada e momentânea. Desenvolveu-se colateralmente com trabalhos de outros campos do conhecimento e depende de sustentação em bases de outros campos. Já no séc. XIX os arqueólogos do EUA se tornaram conscientes das manifestações culturais circunscritas geograficamente. Na Europa, no início de 1840, Worsaae afirmou que os achados arqueológicos devem ser estudados em relação com seus contextos paleoambientais iniciando uma prática que dura até hoje. (TRIGGER; 2004:239). O termo paisagem surgiu no âmbito da ciência na Geografia alemã por volta do século XIX. Ela se estabeleceu como uma de suas principais categorias de análise da escola geográfica da Alemanha, apresentando polissemias interpretativas que lhes conferiram sentidos objetivos e subjetivos. (BARBOSA, GONÇALVES; 2014:92-93). Um dos pré-requisitos para a formação da Arqueologia da Paisagem foi a ...
A PAISAGEM E A ARQUEOLOGIA Prof. Dr. Roberto da Silva Ribeiro A paisagem é uma construção histórico-cultural identificada com as formas específicas (sincrônicas e diacrônicas) de contemplar, compreender, dispor e usar os cenários de ação ativados pelas relações sociais. Ela é o somatório de histórias misturadas num determinado espaço. Entender essas histórias, codificadas na materialidade da paisagem, tem sido um desafio para o arqueólogo. Embora a dimensão espacial de uma época ou de um horizonte dentro de uma região seja importante para a investigação arqueológica, em si mesma não constituem um enfoque da “paisagem”. A sua abordagem pressupõe serem as paisagens dinâmicas e terem histórias complexas. Os povos moldam e interagem com a cultura material dos entornos construídos através do significado e isto parece manter-se no tempo de uma forma culturalmente cruzada e em toda classe de entornos, contextos e situações. Conquanto gerações de pessoas possam habitar e modificar ...
ARQUEOLOGIA DA PAISAGEM: PRINCIPAIS ABORDAGENS E ENFOQUES TEÓRICOS. prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro As formas sob as quais as sociedades conceberam sua relação com o espaço, a natureza e o tempo não foram sempre iguais desde a pré-História à atualidade. Estas se corporificam em distintas estratégias de construção do espaço doméstico, práticas sociais e produtos dessas práticas, desenvolvidos todos de um modo coerente com as formas de representação ideal do mundo que tinham as sociedades que as produziram. A interação de todos esses aspectos gerou distintos tipos de paisagens culturais, as quais têm sua correspondência com tipos de sociedade e formas de pensamento concretos e identificáveis. Estas premissas são a base dos planos teórico-metodológicos da Arqueologia da Paisagem, e constituem os objetivos genéricos que orientam os estudos sobre a reconstrução arqueológica das formas da paisagem, e que buscam estabelecer correspondências entre os mecanismos de representação da...