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ARQUEOLOGIA DA PAISAGEM: PRINCIPAIS ABORDAGENS E ENFOQUES TEÓRICOS.

prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro

As formas sob as quais as sociedades conceberam sua relação com o espaço, a natureza e o tempo não foram sempre iguais desde a pré-História à atualidade. Estas se corporificam em distintas estratégias de construção do espaço doméstico, práticas sociais e produtos dessas práticas, desenvolvidos todos de um modo coerente com as formas de representação ideal do mundo que tinham as sociedades que as produziram. A interação de todos esses aspectos gerou distintos tipos de paisagens culturais, as quais têm sua correspondência com tipos de sociedade e formas de pensamento concretos e identificáveis. Estas premissas são a base dos planos teórico-metodológicos da Arqueologia da Paisagem, e constituem os objetivos genéricos que orientam os estudos sobre a reconstrução arqueológica das formas da paisagem, e que buscam estabelecer correspondências entre os mecanismos de representação da existência, estratégias de construção do espaço e formas sociais concretas.
A questão da paisagem é a natureza fundamental do relacionamento entre as pessoas e os espaços por elas ocupados. O registro arqueológico está disposto no meio natural sendo influenciado por fenômenos desse meio: erosões, sedimentações, bioperturbações, uso e ocupação do solo, etc. Conforme os arqueólogos estudaram o passado humano, eles se interessaram pelo espaço e, em consequência, pelas paisagens.
Para muitos, a paisagem seria apenas um sinônimo de ambiente, porém muitos rechaçam esta visão da paisagem, pois o ambiente seria algo como uma fonte de recursos e condicionantes, algo típico de nossa sociedade e como algo carregado de conotações ideológicas relacionadas com o consumo e a exploração capitalista. Sem dúvida, a conotação de ambiente dos Procesualistas surge na metade do século passado, quando o capitalismo e o comunismo atingiram seu auge e a noção de competição por recursos humanos e naturais dominava as mentalidades. Os povos de outras culturas teriam pontos de vista diferentes sobre a paisagem. Cada povo tem uma visão da paisagem refletindo sua experiência, ela difere da perspectiva de outras comunidades. Para os povos aborígenes, por exemplo, a História é baseada em uma cosmologia, histórias e lugares, e não nos conceitos ocidentais de relações causais, registros e cronologia. (FERNÁNDEZ; 2010:22)
As teorias sobre o modo como os indivíduos veem o mundo partem de um princípio segundo o qual ele é um lugar onde formações naturais, como montanhas, vales, planícies, etc. são perpassadas de elementos não naturais, como aldeias, estradas, pontes, e todo o tipo de alteração humana nesse território. A isto se chama “paisagem”. Em Arqueologia, a perspectiva paisagista é útil para explicar o passado graças a sua possibilidade de reconhecimento e avaliação das dinâmicas e interdependências que os grupos humanos mantêm com as dimensões físicas, sensoriais e socioculturais do espaço. Sua faculdade de aglutinar diferentes cenários de ação habilita esta perspectiva para a tarefa de resolver as dificuldades que a Arqueologia encontra: a variabilidade espaçotemporal do registro e as dinâmicas de mudança cultural (SÁNCHEZ YUSTOS; 2010:146).
A partir da Arqueologia da Paisagem, busca-se reconstruir as paisagens arqueológicas ascedendo, em primeiro lugar, à materialidade do processo de construção e seus produtos visíveis e espaciais, conforme constroem e ordenam o espaço a distintos níveis. Em segundo lugar, o estudo dessa materialidade, alem de permitir-nos reconhecer práticas sociais e saberes concretos, nos leva à compreensão dos sistemas de representação da situação subjazente dessas práticas. Estes sistemas conceptuais contêm os dispositivos a partir dos quais as sociedades pensam, classificam e ordenam a existência, e manifestam uma correspondência genérica com padrões de racionalidade e as formas sob as quais as sociedades conceituaram e estabeleceram tipos particulares de relação com a natureza, com o espaço e com o tempo (GIANOTTI GARCÍA: 2005).
Atualmente, inclusive dentro das diversas recomendações de preservação patrimonial e do avanço da Arqueologia Pública, o espaço assume a posição de uma categoria analítica privilegiada.no estudo sobre o uso conceito de paisagem em pesquisas arqueológicas política, cognitiva, ideológica, de poder, simbólica ou religiosa.

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