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ARQUEOLOGIA E OUTRAS CIÊNCIAS

Prof. Dr. Roberto da Silva Ribeiro

A interpretação arqueológica é influenciada por progressos nas Ciências Físicas, Humanas e Biológicas. Inovações técnicas derivadas de outras áreas do conhecimento foram incorporadas à pesquisa arqueológica com rapidez e pouca resistência.
A Arqueologia, como ciência multidisciplinar, pode se socorrer, em princípio, de qualquer avanço tecnológico. Porém ao buscar uma nova técnica para auxiliá-la, deve levar em conta a máxima capacidade de obter informação com o mínimo de destruição do objeto estudado. O material arqueológico é frágil e, principalmente, insubstituível. Uma vez destruído, não pode ser reposto. Não faz sentido destruir um objeto de estudo arqueológico só para se confirmar uma informação. Métodos não-penetrativos e não-destrutivos devem ser preferidos e só devem ser colocados de lado se não houver alternativa e, em muitos casos, nem assim. Frequentemente, é preferível não obter uma informação que destruir um artefato único.
A aplicação de exames científicos como ferramentas analíticas para o estudo de artefatos arqueológicos, usada a partir do século XIX, intensificou-se consideravelmente nos séculos XX e XXI, sendo um novo tipo de avaliação de artefatos arqueológicos, que leva em consideração metodologias interdisciplinares que envolvem o emprego das Ciências Exatas e Humanas.
O estudo da Arqueologia foi influenciado desde seu início pelo desenvolvimento geral da metodologia científica, relacionado com o crescente poder dos europeus de manipular tecnologicamente o seu ambiente com o início da Revolução Industrial (TRIGGER; 2004:60). A partir de então uma disciplina só poderia ter o status de ciência se tivesse procedimentos pautados na verdade científica e no método científico. A Arqueologia deveria se encaixar nesses procedimentos, perdendo o caráter de caça ao tesouro.
As metodologias científicas da primeira metade do século XIX foram aplicadas à Arqueologia de modo esporádico e ainda empírico, até que, em 1840, Göbel pôs a Química a serviço da Arqueologia e da Pré-História. Depois de Augustin Damour, os arqueólogos passaram a recorrer ao auxílio de geólogos, zoólogos e paleontólogos para aprofundar a interpretação dos dados coletados em investigações arqueológicas. Desde Damour, a Mineralogia e a Química são usadas sistematicamente para elucidar as características e composição de artefatos arqueológicos. O relatório sobre Samotrácia, de Ernest Curtius, no fim do século XIX, foi o primeiro a conter plantas desenhadas por arquitetos profissionais e documentação fotográfica (TRIGGER; 2004:191).
O desenvolvimento do método de radiocarbono e de técnica geocronométrica de datação, depois da Segunda Guerra Mundial, muniu os arqueólogos de cronologia universalmente aplicável. A palinoligia, análise do pólen, propiciou novas e valiosas constatações de mudanças climáticas. Os principais obstáculos a sua difusão nos países mais pobres são a falta de fundos e de pessoal qualificado. A proliferação de formas eletrônicas de tratamento de dados revolucionou a análise arqueológica (TRIGGER; 2004:17).
Na década de 1990, e na entrada do novo século, vivenciou-se na Arqueologia avanço igual ao verificado nos anos 1960, quando as inovações tecnológicas foram aplicadas às Ciências Humanas.

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