ARQUEOLOGIA E
CIÊNCIAS GEOLÓGICAS E DO SOLO
PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO
Desde o seu
início a Arqueologia é intimamente ligada às Ciências do Solo, não só pela
natureza “escavatória” do seu trabalho, como por necessidades teóricas. Os
geoindicadores são de importância vital para o arqueólogo. Geoindicadores são
dados do meio físico e biótico relevantes para os sistemas regionais de
povoamento e que indicam locais de assentamentos antigos. Esses indicadores são
analisados como complementos fundamentais para o entendimento dos artefatos
encontrados em sítios arqueológicos.
Métodos
geofísicos têm apresentado resultados relevantes para a compreensão dos espaços
de sítios arqueológicos. O uso de métodos elétricos, magnéticos e
eletromagnéticos está sendo incorporado a estudos arqueológicos. O avanço e
acesso a estas técnicas têm permitido que os trabalhos assumissem um caráter
arqueogeofísico, que visam qualificar o entendimento de espaços além de apenas
uma técnica indicativa de locais de escavação (SANHUDO, 2016).
O
desenvolvimento da Arqueologia do Paleolítico, no início do século XIX,
dependeu de uma perspectiva evolucionista na Geologia e também de algum
conhecimento de Paleontologia. A solução da controvérsia a respeito da vetustez
da humanidade exigiu uma melhor compreensão do registro geológico (TRIGGER;
2004:89). Um dos pioneiros da análise estratigráfica foi Giuseppe Fiorelli, que
se incumbiu das escavações de Pompeia em 1860. A seriação estratigráfica
tornou-se então um método padrão para toda a Arqueologia (TRIGGER; 2004:190).
São do fim do
século XIX os primeiros trabalhos sobre análises mineralógicas em materiais
arqueológicos levados a cabo pelo mineralogista francês Augustin Alexis Damour,
que se interessou pelo estudo da procedência do material lítico encontrado em
monumentos célticos. Na mesma época, o cientista italiano Giuseppe Folgheraiter
mediu momentos magnéticos em cerâmicas(TOYOTA, 2009).
A Agronomia descobriu
que áreas ocupadas por assentamentos humanos têm as propriedades físicas,
químicas e biológicas do solo modificadas. Habitações e áreas agrícolas
apresentam altas concentrações de íons fosfatos (PO4-3) O fosfato é absorvido
ou fixado a partículas do solo, onde permanece estável (MENDES, BEZERRA,
PEIXOTO, TEIXEIRA, RODRIGUES, FRANÇOSO; 2007:127).
Inventado por
Graham Bell no fim do século XIX, o detector de metais baseia-se na
interferência dos metais no campo magnético. Ele é um instrumento muito barato
e fácil de ser usado, porém tem uma penetração muito rasa no solo, não mais que
poucos centímetros e é de precisão precária. É mais indicado para a Arqueologia
histórica e a Arqueologia do reparo.
Fotografia
aérea é outra técnica antiga de prospecção. Ela usa a interpretação de fotos
tomadas de aviões buscando identificar sítios arqueológicos no solo. As
pesquisas desenvolvidas no período da Segunda Guerra Mundial marcam o
aparecimento de avanços tecnológicos; entre eles, melhorias nos instrumentos de
reconhecimento aéreo que poderiam ser empregados em Arqueologia (CARVALHO;
2003:154). O uso de fotos de satélite a partir da década de 1970 tem igual
princípio, obtendo imagens de diversos ângulos. Tais imagens são úteis, quer para
a visão prévia do terreno, quer para uma visão geral do sítio escavado.
O sistema de
posicionamento por satélite adotado a partir da década de 1980, fez o registro
locacional de sítios arqueológicos sofrer alterações as quais permitiriam a
dinamização do processo e a maior credibilidade dos dados obtidos (MENEGHELLO;
2007:120).
O GPR (Ground Penetrating Radar, ou radar de
penetração no solo) contribui na decisão quanto à definição de áreas dotadas de
maior interesse para escavação futuras. Funciona através da propagação e
reflexam de ondas eletromagnéticas no subsolo, onde as diferenças das
propriedades físicas do meio são empregadas para rastrear materiais diversos e
características físicas do solo. O método permite obter informações sobre a
subsuperfície através da aquisição e da interpretação de dados (CARVALHO,
ZANETTINI, CASTRO; 2007:164).
O georradar
proporciona detalhes das estruturas da subsuperfície e de objetos com valor
arqueológico. O sistema só foi introduzido nas pesquisas arqueológicas no início
dos anos 1970. O georradar é uma ferramenta de apoio na investigação
arqueológica, porém, ainda apresenta ambiguidades como não identificar
bioturbações como tais ou não indicar a natureza dos objetos enterrados
(ARANHA, OLIVEIRA; 2006:181-192). Por ser dificultado pela umidade do solo, o
uso de georradar é indicado principalmente para ambientes secos, como o
interior de construções e cavernas.
Modernamente,
os pressupostos da Arqueologia da Paisagem estão marcados pelo uso das
geotecnologias. Há uma preocupação inerente a este conceito do uso desses
métodos e técnicas para identificar os sítios arqueológicos dispostos na
paisagem e interligados a ela.
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