ARQUEOLOGIA E
ECOLOGIA
PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO
No sentido
anglo-saxão do termo, a Arqueologia ambiental inclui quatro disciplinas:
Geoarqueologia, Paleoecologia, Paleobotânica e Arqueozoologia, aplicadas a
questões arqueológicas.
Há diferentes
paradigmas sobre o uso do conceito ambiente podendo ser pensado sob um viés
mais ecossistêmico, ecológico-evolutivo, adaptativo, funcionalista ou
culturalista, ou mesmo sob uma abordagem hempeliana como pressupõe o método
hipotético-dedutivo usado por Lewis Binford em suas análises etnoarqueológicas,
como meio de ser obter uma teoria de médio alcance.
O estudo do
paleoambiente é importante na compreensão do desenvolvimento humano. Desde o
século XVIII métodos como a dendrocronologia e a palinologia são usados pelos
arqueólogos.
A
dendrocronologia é a contagem dos aneis de crescimento das árvores. Nos climas
com estações bem definidas, as árvores crescem no verão e param de crescer no
inverno. Isso cria uma sequência de anéis claros e escuros que correspondem às
estações. Assim, numa árvore de clima temperado, há um anel claro e um escuro
para cada ano. Sabendo-se em que ano a árvore foi cortada, é possível saber em
que ano ela nasceu simplemente contando os anéis de fora para dentro. Além
disso, anéis claros mais largos correspondem a verões mais quentes e úmidos.
Evidentemente, esse método não pode ser aplicado a árvores que cresceram em
climas tropicais.
O pólen flutua
no ar e se preserva, a palinologia e a palinografia estudam esses elementos
fossilizados para estudar que espécies estavam presentes no paleoambiente.
Entretanto, existem espécies cujo pólen é mais resistente à decomposição, como
as coníferas, e outras espécies cujo pólen desaparece mais facilmente. Daí que
certas espécies serão mais bem representadas numa amostra que outras sem indicar
necessariamente sua maior profusão. O pólen também se conserva melhor em climas
temperados (ADOVASIO; PAGE, 2011:233).
Depois da
Segunda Guerra Mundial, a percepção cada vez maior da importância de um enfoque
ecológico incentivou o empreendimento de programas norte-americanos de pesquisa
arqueológica envolvendo a equipes mundiais. (TRIGGER; 2004:271).
Os
processualistas viam o ambiente como condicionante das possibilidades das
comunidades humanas e suas modificações como determinantes para a mudanças
sociais. Os marxistas reagem ao processualismo afirmando ser a ecologia um
condicionador, mas não um determinante de mudança social. A investigação na
planície de Diyala, na Mesopotâmia, contribuiu com marcos inovadores para a
avaliação de como os câmbios políticos ajudam a condicionar as transformações
das táticas e estratégias econômicas subsequentes (ANSCHUETZ et alii;
2001:152-197).
A
interpretação do ambiente sob o ponto de vista ecológico, que o compreende como
o meio que garante a subsistência de grupos pré-históricos que encontravam em
seus recursos a energia necessária para sua manutenção física não é uma visão
de todo equivocada, pois é por meio da captação desses recursos obteníveis no ambiente
que qualquer grupo humano sobrevive e ocupam posição de destaque nas estruturas
do grupo. Discutível é a passividade desses grupos em relação ao entorno. Essa
visão ecológica pode ser considerada a compreensão objetiva do ambiente, pela
qual se explica parte das relações homem versus
meio. Porém, se esquecem as particularidades do processo histórico, das
escolhas de ordem cultural, das graduações do fato, e também da consciência
inerente à condição humana, a qual permite a ordenação, classificação, os modos
de pensar e de agir, o relativismo e as próprias escolhas.
O movimento
ecológico da década de 1960 trouxe outras questões à Arqueologia por repensar as
teorias de como o esgotamento dos recursos naturais seriam motivo para mudanças
culturais. O movimento ecológico motivou a preocupação com o estudo
arqueológico de impactos ambientais e a procura por modelos de sociedades
conservacionistas do passado como modelos nos comportamentos em relação ao meio
ambiente (TRIGGER; 2004: 311-312).
Desde então a
pesquisa arqueológica se desenvolveu associada, em parte, à problemática
ambiental no tocante aos passivos ambientais dos empreendimentos (CALDARELLI;
2007:14).
O avanço da
Arqueologia preventiva tem trazido à luz a questão relacionada à preservação do
patrimônio arqueológico e cultural, relacionado à destruição sistemática de
sítios arqueólogos (MAMEDE; 2007:128).
A Arqueologia
ecológica se diferencia da Arqueologia da paisagem ‑ tratada mais detidamente
em outro ponto deste trabalho. Para os ecologistas históricos, a paisagem está
dada por estruturas histórico-sociais tais como classe, parentesco ou grupos de
interesse, em combinação com estruturas físicas como clima, geologia e
topografia. Ao investigar os limites sociais, consideram as interações entre as
diversas comunidades e os efeitos dessas relações nas paisagens. Suas
avaliações sobre a natureza cambiante destes limites, dependendo do tempo ou da
escala da análise, ilustram a dinâmica da paisagem. Por último, os ecologistas
históricos se opõem à acumulação de elementos acríticos que veem em muitas
análises arqueológicas e ecológicas da paisagem (ANSCHUETZ et alii;
2001:152-197).
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