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ARQUEOLOGIA E LINGUÍSTICA

PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO

Além de fornecer métodos gerais de análise, influenciando a teoria básica da Arqueologia, como faz com todas as ciências humanas, a Linguística tem um papel importante no auxílio ao arqueólogo.
Na Arqueologia Histórica, a ajuda do linguista é fundamental no exame dos documentos antigos, muitas vezes escritos em línguas mortas, como o grego, o latim, ou o egípcio. Mesmo em língua nacional, um termo pode ter evoluído e mudado de sentido. Por exemplo, a palavra “presídio” significava, no período colonial, não um prédio para prender pessoas, mas a guarda municipal. Se um documento diz que foi instituído um “presídio” numa vila do século XVII, não significa que ali foi construída uma cadeia, mas que foram contratados guardas.
Também no estudo de migrações a Linguística é útil, pois ela consegue estabelecer datações relativas entre o surgimento de um dialeto e outro. Esse método, como nenhum outro é realmente perfeito.
Por exemplo, se conhecemos pouco as línguas europeias, analisando-se as palavras para “leite” “milk” (inglês), “galaktos” (grego) e “lacte” (latim) notamos que existe uma sequência comum “/l/-/k/” (primeiro um L e depois um K) nas três palavras. podemos pensar em um inglês antigo *milak (o asterisco representa uma forma hipotética). Evidentemente, o “ga” do grego deve ser um acréscimo posterior, como o “mi” do inglês, isso faz supor que o latim se separou do grupo do grego antes do inglês, numa fase “pré-prefixo do leite”. Por outro lado, notamos que em “lacte” e em “galaktos” aparece um fonema /t/ depois do /k/, então deveria haver um pré-inglês ainda mais primitivo *milakt e poderíamos pensar que o grego e o latim se separaram antes do “desaparecimento do t do leite”. Ficaríamos na dúvida. O que veio primeiro, o surgimento de um prefixo na palavra para “leite” ou o desaparecimento do /t/, entretanto teríamos certa segurança em afirmar que a forma latina “lacte” seria anterior a milk e a galaktos, pois é a que melhor explicaria uma forma intermediária.
Como em qualquer outra datação relativa, é preciso um grande volume de dados para se obter informaçõe confiáveis da linguística. Isso se torna muito difícil se as línguas se perdem ao deixarem de ser faladas e registradas. Se conhecessemos apenas o português e o inglês, seria impossível fazer a relação entre “leite” e “milk”, pois entre ambas as formas só resta o fonema /l/, enquanto a relação entre “leite” e “lacte” é clara e a relação entre “milk” e “lacte” pode ser estabelecida, principalmente conhecendo-se a forma “galaktos”.

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