INDICADORES
DE MIGRAÇÃO
DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO
Diz Slusser
(2008:2-4) que a demodinâmica de uma população é marcada por três aspectos
principais: a renovação, pelas entradas e saídas representadas pela natalidade
e a mortalidade; o volume, isto é, o seu efetivo, e a dinâmica geográfica, isto
é, os movimentos migratórios que representam expansão, a contração ou a
recolocação da população sobre o mapa conforme ela cresce, decresce ou é
redistribuída em uma área. As análises bioantropológicas têm oferecido suporte
para a criação de modelos demográficos para o povoamento dos continentes
compatíveis com a noção de fluxos populacionais de origens diversas.
À exceção dos
últimos quinhentos anos, não há dados que nos permitam reconstruir uma história
demográfica humana interpretável pelas técnicas tradicionais da demografia;
porém os processos demográficos, os movimentos espaçotemporais dos indivíduos,
desde o nascimento até a morte, deixam traços sobre o registro arqueológico.
Quando tentam
achar uma correlação entre aspectos demográficos e os dados arqueológicos, os
cientistas se acham diante de uma informação que pode ser alterada por
processos geológicos e tafonômicos, como por manipulações humanas através das
práticas funerárias.
Sobre a
renovação da população, os dados que aportam mais informação provêm da
distribuição dos esqueletos nas necrópoles. Sobre o efetivo demográfico, se
segue um processo contando o número de jazidas arqueológicas e se calculando
uma média de habitantes por sítio. Para a dinâmica geográfica, usa-se um
marcador espaciotemporal representado por datações de radiocarbono.
Pode-se
deduzir a migração de padrões de mudança nas normas de uma cultura. Descreveu-se
a migração como um movimento populacional unidirecional, que substituiu uma
população (movimento populacional) ou penetrou uma população sem substituí-la
(imigração). Distingue-se a migração da difusão ou do comércio pela natureza da
mudança: uma mudança gradual de um complexo cultural para o outro é o resultado
do contato entre culturas, como por comércio ou difusão, enquanto uma mudança
abrupta pode ser atribuída ao movimento populacional ou à migração.
Há uma
relação entre a quantidade de vestígios produzidos e o volume da população que
os gerou. Quanto maior é a quantidade de resquícios, maior é o volume da
população, e à inversa. Definem-se uma série de hipóteses de trabalho a partir
das quais se podem definir estas relações. A primeira destas hipóteses é que,
para um período cultural homogêneo, a quantidade de vestígios documentados em
uma área ou jazida reflete a importância da população.
Frequentemente
a informação arqueológica provém de descobertas fortuitas e que se pode
considerar uma mostra aleatória de um conjunto maior de restos, por ora,
inacessíveis. Neste caso, interessa definir a distribuição dos vestígios
arqueológicos, considerando ser uma distribuição o agrupamento de objetos
arqueológicos com base em um critério de classificação.
Outras hipóteses
de trabalho supõem que, para cada período arqueológico, há uma relação linear e
uniforme entre densidade e distribuição dos indicadores, e densidade e
distribuição populacional. Tal relação linear reforça a ideia de que o volume
da população é, aproximadamente, proporcional ao volume dos vestígios gerados:
onde estes são numerosos, a população também o há de ser; onde não há
vestígios, a zona está deserta (BOCQUET-APPEL; 2004: 25-34).
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