Pós-Processualismo
Prof. Dr. Roberto da Silva Ribeiro
O
Pós-Processualismo, sendo também um Pós-Estruturalismo, usa a Hermenêutica como
base epistemológica para a interpretação da vida cultural, de modo a permitir a
compreensão dos significados expressos pelo homem em sua vida. A cultura é
compreendida como um sistema público de símbolos, significados, textos
representando um mundo vivido pelos sujeitos. Em outras palavras, cada
sociedade tem uma maneira de ver o mundo. Os nórdicos entendiam que habitavam
um mundo dividido em três “andares”, em que os deuses habitariam o andar
superior (o Asgard), os humanos o mundo intermediário (a Terra Média) e os
mortos habitariam um mundo inferior. Esta tripartição do cosmo influenciaria
todas as suas representações de modo que cada objeto teria de ser interpretado
nesse contexto. Isto é muito visível na cultura Amish, em que até os objetos cotidianos do mundo moderno são
associados, por eles, a uma interpretação religiosa.
A cultura
representa os sujeitos em suas práticas sociais, a compreensão da Antropologia
Interpretativa foca o significado das instituições, ações, imagens, eventos,
costumes, etc., para esses sujeitos. A vida social acontece através desses
símbolos, como representações, e seu sentido será captado se intentarmos
entendê-la e formular princípios sobre seu respeito. Denota a cultura um padrão
de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um
sistema de concepções herdadas, expressas em formas simbólicas por meio dos
quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas
atitudes em relação à vida (FAGUNDES, PIUZANA; 2010:205-220).
O paradoxo do
círculo hermenêutico diz que só conhecemos bem o todo se conhecemos as partes,
mas só conhecemos bem as partes se sabemos o todo. Assim, ao assistirmos um
filme pela primeira vez, podemos deixar passar várias pistas que serão
significativas para quem já o assistiu. Ao assistirmos pela segunda vez,
prestaremos melhor atenção aos detalhes, e uma terceira vez farão mais detalhes
ainda serem ressaltados. Entretanto, se só compreendemos os detalhes depois de
conhecer o todo, como é que entendemos o todo da primeira vez? Evidentemente,
nossa primeira compreensão do todo foi falha e, ao assistirmos prestando
atenção aos detalhes, o todo fará mais sentido.
Por não
compreenderem o todo, os arqueólogos jamais alcançarão uma compressão objetiva
do passado. Alguns relativistas concluem que, em função disso, eles têm direito
de usar os dados arqueólogos para o que bem lhes aprouver. Essa concepção reduz
a Arqueologia ao status de antiquarismo, que trata os dados arqueológicos como
um fim em si mesmo (TRIGGER; 2004:371).
Comentários
Postar um comentário