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TECNOLOGIA CERÂMICA E LÍTICA E SEU ESTUDO NA ARQUEOLOGIA

prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro

Cada grupo humano apresenta um conjunto próprio de implementos. Os artefatos informam sobre as tecnologias conhecidas pelos grupos que diferenciavam a produção de um grupo com referência aos vizinhos ou mesmo a seus ancestrais.
Por serem os mais resistentes e vistosos, os objetos de pedra e cerâmica são as peças mais numerosas e presente nas coleções arqueológicas (PROUS; 2003:33), embora trabalhos de cestaria ou em madeira talvez fossem muito mais importantes para a sociedade que os produziu. Entretanto, por sua natureza frágil, estes raramente se conservam, assim, podemos classificar tradições e fases por meio de pontas de flecha, mas não por modelos de arco, que desapareceram.
Também a estreiteza dos objetivos dos arqueólogos, determinada por uma teoria inadequada, pode levar ao relaxamento no trabalho de campo e na análise arqueológica. Muitas classes de artefatos, mesmo sendo encontrados, não são considerados para a classificação das culturas e podem não ser examinados nem descritos em pormenor. Cerâmica e material lítico tendem a ser estudados mais cuidadosamente do que remanescentes de outras manufaturas (TRIGGER; 2004:267).
A Pré-História da Europa e do Oriente Próximo, por exemplo, foi dividida convencionalmente pelos seus primeiros estudiosos em duas “idades”: a da pedra lascada e a da pedra polida. Nas Américas, numa primeira “etapa” estão situadas as culturas pré-cerâmicas entre 12 e 5 mil AP (Antes do Presente), na segunda “etapa” estão as culturas dos ceramistas a partir de cinco mil AP. Assim, nos sítios brasileiros, segundo a metodologia processualista, procuram-se em primeiro lugar os implementos cerâmicos. Em face da inexistência de cerâmica, as culturas são classificadas a partir da tipologia lítica: a Umbu e a Humaitá. A cultura Umbu é distinguida pelas pontas, e a Humaitá pelos bifaces, inexistindo pontas de projétil. No Nordeste também há a tradição Itaparica, diferenciada pelo retoque unifacial (CARVALHO; 2003:41ss).
Estas classificações, e até mesmo a noção de Pré-História, têm sido contestadas por trabalhos recentes, que apontam para uma perspectiva cronológica diferente, como para a revisão da filiação cultural, porém ainda estão bastante em voga não só nos livros didáticos, como em trabalhos científicos da área de Arqueologia, embora quase descartados pelos historiadores.(DA SILVA, SALDANHA, CABRAL; 2007:73).
Presumia-se de início estar o lítico associado ao homem e a cerâmica à mulher. Dentre as primeiras aplicações da Nova Arqueologia, algumas foram tentativas de usar a cerâmica para inferir padrões de residência de comunidades pré-históricas. Conforme se presumia que as mulheres faziam a cerâmica usada por suas famílias, os elementos semelhantes de forma e decoração tenderiam a concentrar-se em sociedades matrilocais nos lugares onde o conhecimento da fabricação se transmitia de mãe para filha; mas sua distribuição se tornaria aleatória nas sociedades patrilocais, onde mulheres ceramistas de diferentes linhagens viviam na vizinhança umas das outras (TRIGGER; 2004:292).

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