Pular para o conteúdo principal

Postagens

CERÂMICA prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro A cerâmica foi o primeiro produto artificial criado pelos seres humanos. Os artefatos cerâmicos constituem, pela abundância relativa e pelas boas condições de conservação, grande parte dos testemunhos materiais que soem perdurar dos grupos do passado. As cerâmicas são manufaturadas a partir do que, sob o ponto de vista dos geólogos, são rochas sedimentares, chamadas popularmente de “terras”, cujo principal componente são a argila, alumínio e silicatos de composição indefinida. Impurezas menores são encontradas em concentrações muito pequenas, mas são os “elementos traço” (menores 0,1%), cuja presença na argila é “acidental”, os que proporcionam a melhor informação para estudos arqueométricos, pois é estatisticamente, improvável que a concentração de elementos traço na argila de uma localidade coincida quantitativamente com a de argila de outras localidades. As propriedades microscópicas da cerâmica, como a composição química e min...
MATERIAL LÍTICO prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro Usado p rimeiramente   pelo seu valor taxonômico pelos arqueólogos, o material lítico teve como função principal ordenar no tempo e no espaço as diferentes fases, culturas e faces da Pré-História. Para os princípios evolucionistas histórico-culturalistas, os grupos nômades dispunham essencialmente de pedra para fabricar seus instrumentos. Como eles não poderiam carregar muito peso em suas andanças, os objetos de pedra seriam então abandonados no acampamento de saída e refeitos no novo assentamento. Evidentemente esta visão tem uma série de falhas. Primeiro, os povos nômades disporiam de outros materiais, como a terra e o bambu, em qualquer localidade, segundo, não é qualquer tipo de pedra que se serve à feitura de implementos. Há regiões inteiras, como a Amazônia, a Mesopotâmia ou o Saara, em que pedras são raras, mesmo as de qualidade inferior. Um terceiro fator é que grupos nômades não saem perambulando a esmo. Em s...
TECNOLOGIA CERÂMICA E LÍTICA E SEU ESTUDO NA ARQUEOLOGIA prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro Cada grupo humano apresenta um conjunto próprio de implementos. Os artefatos informam sobre as tecnologias conhecidas pelos grupos que diferenciavam a produção de um grupo com referência aos vizinhos ou mesmo a seus ancestrais. Por serem os mais resistentes e vistosos, os objetos de pedra e cerâmica são as peças mais numerosas e presente nas coleções arqueológicas (PROUS; 2003:33), embora trabalhos de cestaria ou em madeira talvez fossem muito mais importantes para a sociedade que os produziu. Entretanto, por sua natureza frágil, estes raramente se conservam, assim, podemos classificar tradições e fases por meio de pontas de flecha, mas não por modelos de arco, que desapareceram. Também a estreiteza dos objetivos dos arqueólogos, determinada por uma teoria inadequada, pode levar ao relaxamento no trabalho de campo e na análise arqueológica. Muitas classes de artefatos, mesmo sendo ...
INDICADORES DE MIGRAÇÃO DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO Diz Slusser (2008:2-4) que a demodinâmica de uma população é marcada por três aspectos principais: a renovação, pelas entradas e saídas representadas pela natalidade e a mortalidade; o volume, isto é, o seu efetivo, e a dinâmica geográfica, isto é, os movimentos migratórios que representam expansão, a contração ou a recolocação da população sobre o mapa conforme ela cresce, decresce ou é redistribuída em uma área. As análises bioantropológicas têm oferecido suporte para a criação de modelos demográficos para o povoamento dos continentes compatíveis com a noção de fluxos populacionais de origens diversas. À exceção dos últimos quinhentos anos, não há dados que nos permitam reconstruir uma história demográfica humana interpretável pelas técnicas tradicionais da demografia; porém os processos demográficos, os movimentos espaçotemporais dos indivíduos, desde o nascimento até a morte, deixam traços sobre o registro arqueológic...
PROCESSOS DE MIGRAÇÃO E SEU ESTUDO ATRAVÉS DO REGISTRO ARQUEOLÓGICO PROF. DR. ROBERTO DA SILVA RIBEIRO O estudo da migração analisa os pontos iniciais e finais, e o que ocorre no meio de um processo em que uma população se muda permanentemente, em vez de uma mudança de curta duração, causada por motivos como doença e guerra. Pesquisar o movimento dos povos apresenta desafios especiais na Arqueologia, particularmente na Arqueologia pré-histórica, com sua escassez de registros escritos. Os arqueólogos são obrigados a confiar exclusivamente nos componentes do registro material para inferir movimentos de pessoas e populações (SLUSSER; 2008:1-4). É um exemplo conhecido que a descoberta das pontas Clovis, (11.200 AP) e Folson (10.900 AP) criou a teoria “Clovis First” que ainda hoje molda as explicações da migração pelo continente americano, apesar de amplamente discutido e criticado. Até o séc. XVIII, no Ocidente, acreditava-se, sem questionamento, na Bíblia como documento histór...
ARQUEOLOGIA FORENSE E DE GUERRA A Arqueologia da contemporaneidade é útil quando se trata de exumar os corpos enterrados anônima ou clandestinamente em situações de conflito, como nas fossas comuns da Guerra Civil Espanhola e do franquismo, das ditaduras argentinas e chilenas, do genocídio dos tutsis no Ruanda, do massacre de Srebrenica, na Bósnia e Herzegovina ou para achar os túmulos das vítimas de um assassino em série em Yorkshire. Comumente referido como Arqueologia Forense, x apela às habilidades técnicas, metodologia e qualidade analítica dos processos taxonômicos de arqueólogos treinados pela Antropologia (EID; 2017). As habilidades profissionais na Arqueologia forense e de campo de batalha são empregadas no estudo de crimes de guerra e de fossas comuns. Essas investigações têm diferentes propósitos: recolher provas para justiça retributiva, combater os esforços de negação e revisionismo, ajudar no processo de reconciliação e rememoração da atrocidade para turistas de gu...
Questões étnicas e a Arqueologia prof. dr. Roberto da Silva Ribeiro A Arqueologia pós-processualista igualmente se interessa por questões de grupos etnicos minoritários. A investigação em Arqueologia a propósito da população afrodescendente nas Américas se centrou nas análises de dois cenários principais: o sistema escravista, representado em plantations , haciendas e alguns contextos urbanos, e o fenômeno da cimarronaje , efetivado na existência de palenques, quilombos, mocambos ou cumbes. As terras dos remanescentes dos quilombos são a ponta de lança para o movimento negro (SANTANA; 2007:164). Podemos identificar, em distintos momentos, três pontos nodais de produção acadêmica sobre o negro: Estados Unidos a partir dos anos 60; Jamaica e Cuba e Brasil nas décadas de 1980 e 1990; e de modo apenas incipiente, por volta dos anos 2000, alguns outros países como Argentina, Colômbia e Suriname. Este panorama assinala ao menos três linhas de discussão. A primeira relativa à con...